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domingo, 30 de setembro de 2012

Um dia passa


Hoje era o dia em que eu mais precisava ter você por perto. Eu acordei assustada essa manhã, depois de um sonho, achando que você tinha conhecido minha família. Hoje eu acordei querendo alguém do meu lado pra ocupar o buraco que você fez no meu peito. Hoje eu quis que fosse a nossa primeira vez e fazer tudo diferente só pra não ter perder como sempre, te perder pra sempre. Mas já é tão tarde, é quase onze e eu estou sozinha e pensando em tudo o que passou, o que marcou, o que não vive mais, no que virou.
Hoje  eu acordei sentindo sua falta, mas hoje já está acabando, e você e essa saudade também. Falta pouco, falta quase pouco.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Eu fiquei com você


Eu fiquei com você. Eu escolhi você. Porque acho que apesar de você ser idêntico ao meu pai, ter os mesmos vícios e manias, e eu ter um relacionamento extremamente complicado com ele e eu morrer de medo de ser a mesma coisa com você, mesmo assim, eu te escolhi. Eu quero você desse jeito meio torto, meio certo, meio aberto que você é. Porque eu quero que pela primeira vez dê certo. Quero que passe três, seis, nove, doze meses e eu possa te apresentar pra minha família maluca. Quero te levar pra conhecer meu avô ranzinza, minha avó com quilos a mais, a outra avó meio cri cri, minha mãe maluca, meu pai distante, minhas primas: a responsável, a ovelha negra, a paparicada e as pequenas. Quero que você conheça minha irmã e ela te encha de perguntas discabiveis só porque ela é extremamente parecida comigo. Quero te levar pra minha cidade pra todo mundo fofocar sobre a gente. Imagina só, a ex do carinha que tinha tudo pra ser gay está namorando! E ai? Tudo isso só porque eu aprendi a gostar de todas as coisas boas e as não tão boas que você tem. Tudo isso porque eu preciso de você pra sorrir por ai feito boba só porque você de repente disse que me ama. Tudo isso porque eu sou apaixonada e pela primeira vez tem alguma coisa dando muito certo pra mim e pra você.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vinte e um de abril


Eu escrevia seu nome em letras garrafais na minha agenda. Fazia a letra bem redondinha tipo caligrafia, estendendo até o fim todas as letras. Enchia de coraçõezinhos em volta. E embaixo escrevia como havia sido maravilhosa a aula porque você sentou do me lado. Escrevia como foi lindo quando você sentiu ciúmes a primeira vez. Escrevia sobre a primeira vez. Escrevia sobre como eu descobri cada parte sua que eu podia amar e odiar ao mesmo tempo. Falava sobre como foi triste fingir pra mim mesma que não te queria mais em todas as vezes que a gente brigou porque eu sou louca e você é estranho. Contava pra mim mesma umas cem vezes do dia que você disse que gostava de mim no meio daquela festa e me roubou um beijo escondidinho de todos só porque você queria me esconder como sempre. Escrevia cada dia, cada detalhe, toda briga, a última vez, o choro, a briga, o adeus. Escrevia porque sou boa com palavras escritas. Nunca soube dizer o que sentia. Talvez porque nunca soube sentir. Mas finalmente, um dia eu acordei sobre o seu colchão azul e não senti nada. Olhei pra você e te odiei. Soube naquele momento exatamente o que sentir. Soube que tudo o que eu escrevia não existia mais, e talvez nunca tivesse existido antes. Vinte e um de abril. Há três meses.
Parei de escrever seu nome em letras garrafais. Parei de contar nossa história pra qualquer pessoa que fosse que me perguntasse como andam os namoros. Nunca mais contei ou escrevi qualquer coisa que tenhamos vivido. Nunca mais nem soube de você. Nunca mais é apenas três meses e seis dias e pra gente já é tempo demais.
Agora eu tento não escrever o nome do outro. O outro é a paz de que eu tanto precisava. Não escrevo o nome dele. Não vou embora chorando pra casa. Não viajo quentinha debaixo do edredom no ônibus. Não conto mil vezes que ele dorme feito uma pedra. E quando me perguntam dos namorados eu respondo: Quando eu tiver um, publico no Facebook.
Seu nome em letras garrafais com uma caligrafia impecável está registrado na minha agenda, na minha memória e na minha pele, mas não é nada que o tempo não possa apagar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O amor chegou e passou

O amor está chegando. Olha lá. Bem ao longe. Lá no horizonte vem vindo alguma coisa que se parece com amor. É pequeno, vem devagar, em cima de um cavalo branco. O amor vem chegando, mas o que fazer com ele? Ele fica grande, ocupa espaço e eu não posso esvaziar o armário pra guardar ele. No meu armário estão as paixões, velhas e intactas pelo tempo e eu não posso jogá-las fora. O amor não cabe porque ele pode ficar imenso e talvez não tenha mais espaço nem pra mim. O amor é dominador e eu não sei se posso sustentá-lo. Eu sou fraca e teimosa e o amor pesa nos meus sonhos. O amor está chegando e está batendo na porta. Ele tem pressa, mas eu não sei se quero deixar entrar. O amor dói, machuca quem habita e eu tenho medo. O amor chegou e eu não posso deixar entrar. Eu sei que ele vai embora sem data pra voltar, mas eu sou pequena demais pra esse  amor tão imenso e eu quero sobreviver se um dia ele se quebrar. Agora não, amor. Não dá. O amor foi embora e só o passado ficou.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A foto


De repente me veio uma vontade louca de olhar uma foto dele. Eu sabia que não podia vê-lo, que não iríamos cruzar o caminho um do outro nunca mais, mas eu precisava ver mais uma vez aquele rosto que um dia eu disse ter amado tanto. Eu precisava ver só pra ter certeza de que tudo aquilo que eu dizia imenso e real havia morrido. Não consegui entender o que aconteceu aqui dentro quando olhei aquela foto brega do perfil dele. Não sei o que eu senti quando vi a foto do jogo de quarta-feira passada. Só sei que ao menos uma vez não deu vontade de voltar no tempo e refazer as memórias. Sei que eu não tive vontade de fazê-lo meu mais uma vez. Pensei que talvez o destino o colocasse mais uma vez na minha frente, cara a cara, olho no olho pra ver a minha reação. Talvez eu quisesse isso, quisesse reencontrá-lo para ter certeza de que todo o amor morreu, queimou. Pensei o dia todo em tudo a respeito dele. Pensei e entendi que todos os meus grandes amores até hoje não foram tão grandes. Que ele e os outros não passaram de apostas que eu fiz as cegas. E no final eu tive certeza de apenas uma coisa: do que não é amor.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ele era uma droga

Ele era um droga. Não. Ele não era ruim. Ele era bom. Bom demais. Era mais que bom, por isso era uma droga. Viciava. Dava uma brisa boa, me fazia ver duendes e flores e neve dentro do meu quarto. Era uma droga porque me fazia cada dia querer usar mais um pouco. Depois de um ano completamente alucinada, eu precisa parar. Eu tinha que parar. Eu tinha que me querer de volta. Mas eu precisava da loucura que ele me causava. Eu tentei nunca mais querer aquela droga que tinha cheiro de Malbec e carinha de inocência. Eu sofri. Chorei. Entrei em crise. Tive que usufruir de outras drogas para esquecer aquele vício antigo. Foi ai que eu descobri que existem drogas melhores, com cheiros melhores e sexo melhor. Ele também é uma droga, mas quem é que não é?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A vida segue mas o que foi bonito fica com toda força

É lógico que a gente nunca quer que termine aqui, termine assim. Foi inconsciente mas foi a gente que fez ser assim. Você sabe. Eu sei. Foi a gente e mais ninguém que fez o amor virá isso meio louco, meio torto que termina aqui.
Eu lamento e você também que não sobre nada disso que já chegou a ser bonito, já fez o coração acelerar, já fez sorrir, mas se transformou em algo que dói, que atrapalha, incomoda e cansa. Termina aqui porque é melhor . Melhor que seguir tentando consertar, tentar recuperar de alguma forma um sentimento que foi destruído com o tempo.
Amanhã é outro dia, com outras pessoas, mas o Sol que nasce ainda é o mesmo, a vida segue como antes, às vezes mais bonita, às vezes mais difícil mas ela sempre segue.