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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Macho alfa

Voltando para casa hoje fiquei pensando em muitas coisas (esse é o lado bom de andar a pé, dá tempo de pensar em muitas coisas), e uma delas foi a frase que me disseram e têm me dito muitas pessoas: tem que ser do meu jeito.
Então comecei a lembrar de pequenas coisas que me fizeram entender que na frase “meu” tem que ser meu e de mais ninguém, uma vez que não gosto de ser submetida a regras e ordens. Eu nasci para decidir e tive essa certeza hoje.
Me lembro de quando era pequena e disse a minha avó que não queria mais tomar leite na mamadeira, eu queria no copo – afinal já era uma mocinha de 6 anos. Me lembro também da vez que decidi que pararia de me desculpar, porque era impossível só eu estar sempre errada – isso no auge dos meus 10 ou 11 anos. Decidi por volta dos 14 que eu não seria como as outras meninas da minha sala, que minha cor preferida não seria rosa, e que também não seria a primeira da turma. Com 15 decidi que deveria começar a beber e me parecer um pouco com as outras pessoas da minha idade. Com 18 decidi que deveria viver la vida loca e experimentar coisas que devem ser experimentadas na faculdade – sexo, drogas e rock ‘n roll.
Na maior parte das vezes que decidi algo deu certo, outras tantas deram muito errado mas sempre arquei –e continuo arcando – com as consequências de cada decisão tomada. Porém a parte que eu quero chegar em tudo isso é que EU decidi e mais ninguém, foram coisas que eu fiz por mim mesma por motivos que foram só meus e não cabe a ninguém me dizer que tem de ser de outro jeito. Isso me torna uma pessoa um pouco egoísta, talvez (sim!).
De todas as vezes citadas a cima que a decisão me levou a algum tipo de arrependimento não foi doloroso porque fiz por mim e pelo que eu queria na época. A única decisão que me perturba ainda nos dias de hoje foi quando decidi que deveria ser do jeito de outra pessoa.
Como eu tenho assistido muitos seriados e lido muitos livros, tenho passado pela minha cabeça um conceito de busca interior e me encontrei em um outro conceito chamado: macho alfa. Toda alcateia tem um macho alfa que rege as regras e toma a frente de todos os outros, e na minha busca interior por mim mesma cheguei à conclusão que eu sou o macho alfa. Isso mesmo, MACHO ALFA com letras garrafais.
Sou macho alfa porque gosto de tomar as minhas decisões, porque me responsabilizo por elas – mesmo que sejam ruins. Gosto de saber que tenho o controle de mim mesma, das roupas que eu uso, da forma como me comporto, como gasto meu dinheiro, com quem me relaciono, os lugares que frequento, etc. Gosto de saber que sou a dona da minha vida e que ninguém tem que fazer do meu jeito porque entendo sobre livre-arbítrio, e por entender isso tenho andado pelos caminhos que escolhi.

O que os livros têm me reconfortado ainda é que mesmo que eu me perca nisso tudo que se chama MINHA vida é nessa perda que irei me encontrar, assim como acaba de acontecer. Me perdi de tudo aquilo que eu comecei decidir aos poucos com 6 anos, saí do meu caminho para poder entender que tudo tem que ser do meu jeito.

domingo, 4 de setembro de 2016

Eu olho ao redor e até onde eu posso ver só existe areia. Está quente e frio ao mesmo tempo. Eu tento correr mas meus pés estão grudados em um monte de areia que quanto mais eu mecho mais eles vão me sugando pra dentro de uma coisa escura que eu não sei o que é. Hoje, lá fora está chovendo, mas aqui dentro o ar está tão seco que meu nariz dói e eu mal consigo respirar. Sinto que a qualquer momento tudo o que existe aqui vai virar pó, e tudo o que sobrar de mim vai ser levado com o vento junto com a areia que vez ou outra vai mudando de monte deixando uns mais altos e outros mais baixos. As vezes aqui dentro é tão quentinho que tenho vontade de deitar e me unir aos grãos que me cercam e adormecer pra sempre no quentinho como um bebê no útero da mãe. As vezes só quero que pare de ventar e que os grãos parem de incomodar as minhas vistas pra eu poder ver o que tem além desses montes de areias que me cercam. Não sei bem onde é aqui. Não sei nem se um dia já estive em um lugar diferente ou se tudo o que eu já vi foi apenas uma miragem daquelas que as pessoas têm no desertos quando estão delirando de tanta sede. Não sei se sou eu que estou presa aqui, ou se eu coloquei toda essa areia aqui.
Tem dias que eu fico aqui imaginando o que pode haver por trás dos montes de areia. Será que há mais vida? Será que existem pessoas saudáveis e que não são presas a montes de areia? Ou será que alguém já conseguiu sair do seu monte de areia para ver o que há do outro lado? Ou além dos montes não existe mais nada? Será que os montes de areia é que fazem disso tudo uma coisa real? Ou o real nem existe?

Se existir alguma coisa além disso aqui eu imagino que seja como um campo de flores, cheio de animais, ensolarado porém não quente como aqui. Imagino chuvas amenas para regar as flores. Imagino também pequenas casas com pequenos seres tendo uma vida normal sem as tempestades de areia. Imagino que tudo além daqui só traz paz. Seria então a morte, ou a libertação da morte diária que é estar eternamente em uma tempestade de areia?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Metalinguagem

Ontem assistindo o filme “A garota do livro” me recordei de um antigo sonho que eu guardei numa caixinha e havia esquecido por muito tempo.
Hoje cedo eu acordei e não sabia quem era a estranha deitada na minha cama, e foi aos poucos que me dei conta que era eu. Pequena, fraca e esquecida dentro de uma caixinha.
Há três anos por algum motivo que não sei ao certo decidi parar de escrever. Parei porque escrever significa eternizar as coisas ou sentimentos, e muitos deles por muito tempo eu só quis esquecer, ou quis lembrar de uma forma diferente.
Escrever é expor ao mundo a ferida viva que cada um é por dentro e maquia com sorrisos, bares e amigos porque ver a dor dos outros é sentir a própria com ainda mais intensidade. Escrever é marcar para sempre fora da memória algo que te tocou tão profundamente que você quer que as pessoas vejam. Escrever é compartilhar tudo aquilo que muitas vezes todos querem esconder.
Mas sobretudo, escrever é deixar se conhecer para que outras pessoas possam conhecer a si mesmas e notarem que não estão sozinhas, que de certa forma todos sentimos coisas que queremos ou não eternizar. É se deixar exposto para que outras pessoas encontrem na sua dor ou felicidade algum tipo de conforto.

Eis me aqui uma vez mais para eternizar, não por mim, mas por vocês que possam vir a ler, que a vida dói, rasga, bate, mas as vezes pode florir e desabrochar e que não devemos ter medo de eternizá-la porque ela é curta demais e se esvai como sopro ou furacão.
Estou há uma hora deitada no chão.
- Levanta daí.
- Não consigo sequer pensar em ter forças pra sair do chão.
- Sai daí, levanta. Arruma o quarto, a casa, a bagunça da sua cabeça.
- Não quero.
- Levanta, você precisa.
- Não consigo.
- Pelo menos tenta.
- Eu quero fazer parte do chão, do duro, do oco, do imóvel.
- Você precisa levantar. Reage!
- Não.
- Levanta e toma alguma decisão, ou fica ou vai, mas levanta.
- E se eu levantar o que acontece?
- Não sei, mas você precisa levantar pra saber.
 - Eu não sei por onde começar.
- Ergue a cabeça, se apoia nas mãos, no joelho, mas levanta pelo amor de Deus!
- No chão é melhor, tô super bem aqui.
- Não tá, você tá mal mas precisa levantar. Tem uma vida lá fora te esperando. Sai. Levanta e corre.
 - Eu não quero. E se eu for fraca demais e sucumbir e nunca mais conseguir sair do chão.
- Você sabe que consegue. Tem que querer levantar.
- Mas eu não quero.
- Anda logo, levanta e faz alguma coisa, você precisa disso.
- Vou levantar em 3, 2, 1 ......
- E agora eu faço o que?
- Não sei, arruma a casa, se arruma, lê um livro, inventa algo.
- Mas eu não quero. Vou voltar pro chão.
- Para com isso, você precisa de vida, precisa decidir qual vida você quer ter.
- Eu quero fazer parte do chão.
Estou há um hora deitada no chão.

- Levanta!
Eu queria saber de onde as pessoas tiram o “amor da vida” em um mês, ou poucos meses, de namoro.
Me relacionei por anos com várias pessoas e até hoje só consegui falar um “eu te amo” sincero depois de quase um ano.
No atual momento do mundo onde as coisas mais importantes são Whatsapp, Facebook e Pokemon GO, as pessoas se esqueceram de valores importantíssimos, se atentam apenas a um pedaço de vidro com metal que cabe na palma da mão. Elas se esqueceram que dar “bom dia” pessoalmente é mais importante que mandar uma imagem com uma frase autoajuda para milhões de grupos no Whatsapp. Se esqueceram que dar um abraço de “feliz aniversário” é mais importante que fazer um textão e publicar no Facebook. Também se esqueceram que caminhar é praticamente uma obrigação e não um esporte em que você sai atrás de bichinhos imaginários. No momento em que as pessoas se esqueceram de todas essas coisas, também esqueceram que amar é algo real e duradouro. Como diria Tati Bernardi, dizer “eu te amo” ficou tão banal quanto dizer “me passa o sal”.

O mundo tecnológico nos ajudou de várias maneiras, mas acabamos por dar importância demais a coisas não palpáveis, nos esquecendo que quem está ao nosso lado é mais importante que ter 258520 amigos em qualquer rede social.

Carta a Deus


Não é que eu esteja aqui duvidando da divindade de Deus, ou qualquer coisa do tipo, só ando me perguntando por que é que certas coisas acontecem.
Já diziam alguns sábios que tudo acontece por um motivo, mas qual?
Gostaria de entender essas coisas que costumo chamar de provação. Por quê? Pra quê?
Então existem mais sábios que dizem que saberemos o propósito depois que a coisa passar, mas quando passa? E se não passar? E se demorar anos?
Claro que todas essas questões são coisas de pessoas ansiosas e pessimistas como eu. Pessoas como eu não têm tempo – ou não querem ter – para entender os propósitos. Eu quero hoje. Eu quero agora. Eu quero que passe. Eu quero que acabe esse tormento que eu não sei por quê eu estou passando. Já deu.
Mas então vem a vida, ou Deus, ou os dois, ensinar para a ansiosa e mimada e pessimista aqui que tudo é no tempo certo – ou no tempo Dele, e a única coisa que me resta a fazer é ficar deprimida, chorar, dormir e esperar tudo isso passar e daqui dez anos eu entender porque é que aconteceu assim.

A última pergunta: Será que dá pra dormir até tudo isso passar? Obrigada!

domingo, 10 de março de 2013

Não sou sua mulher porque eu não quero


Não duvido que você goste de mim. Nunca duvidei. Mas entenda, eu não confiava. Não confiava em você como homem, porque você é um menino que não sabe o que quer comer amanhã. Porque não sabe onde quer estar daqui a dez minutos, nem daqui a dez anos. Não confiava em você porque nunca confiei em mim. Como uma menina que tem medo de quebrar o brinquedo de tanto brincar. Como mulher moderna que não quer depender de ninguém pra ir ao mercado, a farmácia ou ao bar. Mas principalmente porque eu não gostava. Não gostava de você a ponto de aceitar suas coisas que eu odeio. Não gostava a ponto de querer ficar pra sempre junto. Não gostava tanto quanto eu gosto do outro.
Também nunca duvidei que o outro gostasse de mim. Ele também gosta. Só não saber o que fazer disso. Mas por mim tudo bem, porque eu também gosto e não sei o que fazer com isso.
O que não deu certo entre mim e você foi a hora. A hora era errada. A hora passou. 
Não sei aceitar suas meias verdades e as mentiras inteiras. Não sei aceitar que você me quer enquanto quer tudo e todas ao mesmo tempo. Não sei amar porque eu ainda não aprendi a ter paz. Entenda que eu sou louca, e todas as vezes que eu briguei com você ou com ele foi loucura minha. Mas nenhuma das minhas loucuras foi sem sentido.
Quando eu briguei com você porque encontrei uma mensagem no seu celular, eu tinha razão em ser louca. Quando eu te pedi para não falar mais com a outra menina, eu também tinha razão. Quando eu pensei que você não era o outro, e nunca faria coisas ou seria parecido com ele, eu também tinha razão.
Não vou dizer que não gostei. Eu gostei. Muito. Mas não o suficiente para ficar junto. Já do outro, eu também gosto. Muito. Mas é muito mais do que o suficiente para ficar junto.
Entenda que o problema sou eu. Não é você. Não é outro. É o amor que é só meu ou só seu e não sei dar nem receber.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Essas quatro paredes de novo


Pensando e relembrando sobre nós, me lembro de ter tirado uma foto para eternizar aquele momento.  Entre todas as fotos minhas e suas, olhei uma que eu tirei do seu quarto enquanto você trabalhava. Eu não queria esquecer os momentos lindos que vivi ali. Eu quis uma foto só do seu quarto para poder lembrar todas as coisas boas e secretas que vivemos naquelas quatro paredes amarelas.
Hoje, depois de tudo que passamos e repassamos, do que tivemos me peguei olhando pra aquela foto que não faz tanto tempo assim, e validei a sua existência e a minha felicidade. Foi como se eu sentisse novamente, como se fosse verdadeiro, não houvesse mentiras, dores, brigas, separação. Foi como se eu nunca tivesse saído daquele quarto e logo você fosse chegar e me dar beijo de boa noite, e deitar comigo naquela cama imensa que fazíamos questão de dormir bem juntinhos, respirar o ar do outro, porque era bom, era feliz, era verdade.
Me peguei sentindo um vazio imenso depois de toda essa felicidade, e toda a dor, ressentimento voltou como uma coisa que não faz sentido algum mas existe.
Nunca soube se fomos amor, se fui amor, se durou. Nunca soube o que seria se continuasse sendo bom e feliz e ruim e triste. Nunca soube das verdades que você não dizia. Nunca soube mais de nós, apenas do vazio que ficou.

domingo, 30 de setembro de 2012

Um dia passa


Hoje era o dia em que eu mais precisava ter você por perto. Eu acordei assustada essa manhã, depois de um sonho, achando que você tinha conhecido minha família. Hoje eu acordei querendo alguém do meu lado pra ocupar o buraco que você fez no meu peito. Hoje eu quis que fosse a nossa primeira vez e fazer tudo diferente só pra não ter perder como sempre, te perder pra sempre. Mas já é tão tarde, é quase onze e eu estou sozinha e pensando em tudo o que passou, o que marcou, o que não vive mais, no que virou.
Hoje  eu acordei sentindo sua falta, mas hoje já está acabando, e você e essa saudade também. Falta pouco, falta quase pouco.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Eu fiquei com você


Eu fiquei com você. Eu escolhi você. Porque acho que apesar de você ser idêntico ao meu pai, ter os mesmos vícios e manias, e eu ter um relacionamento extremamente complicado com ele e eu morrer de medo de ser a mesma coisa com você, mesmo assim, eu te escolhi. Eu quero você desse jeito meio torto, meio certo, meio aberto que você é. Porque eu quero que pela primeira vez dê certo. Quero que passe três, seis, nove, doze meses e eu possa te apresentar pra minha família maluca. Quero te levar pra conhecer meu avô ranzinza, minha avó com quilos a mais, a outra avó meio cri cri, minha mãe maluca, meu pai distante, minhas primas: a responsável, a ovelha negra, a paparicada e as pequenas. Quero que você conheça minha irmã e ela te encha de perguntas discabiveis só porque ela é extremamente parecida comigo. Quero te levar pra minha cidade pra todo mundo fofocar sobre a gente. Imagina só, a ex do carinha que tinha tudo pra ser gay está namorando! E ai? Tudo isso só porque eu aprendi a gostar de todas as coisas boas e as não tão boas que você tem. Tudo isso porque eu preciso de você pra sorrir por ai feito boba só porque você de repente disse que me ama. Tudo isso porque eu sou apaixonada e pela primeira vez tem alguma coisa dando muito certo pra mim e pra você.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vinte e um de abril


Eu escrevia seu nome em letras garrafais na minha agenda. Fazia a letra bem redondinha tipo caligrafia, estendendo até o fim todas as letras. Enchia de coraçõezinhos em volta. E embaixo escrevia como havia sido maravilhosa a aula porque você sentou do me lado. Escrevia como foi lindo quando você sentiu ciúmes a primeira vez. Escrevia sobre a primeira vez. Escrevia sobre como eu descobri cada parte sua que eu podia amar e odiar ao mesmo tempo. Falava sobre como foi triste fingir pra mim mesma que não te queria mais em todas as vezes que a gente brigou porque eu sou louca e você é estranho. Contava pra mim mesma umas cem vezes do dia que você disse que gostava de mim no meio daquela festa e me roubou um beijo escondidinho de todos só porque você queria me esconder como sempre. Escrevia cada dia, cada detalhe, toda briga, a última vez, o choro, a briga, o adeus. Escrevia porque sou boa com palavras escritas. Nunca soube dizer o que sentia. Talvez porque nunca soube sentir. Mas finalmente, um dia eu acordei sobre o seu colchão azul e não senti nada. Olhei pra você e te odiei. Soube naquele momento exatamente o que sentir. Soube que tudo o que eu escrevia não existia mais, e talvez nunca tivesse existido antes. Vinte e um de abril. Há três meses.
Parei de escrever seu nome em letras garrafais. Parei de contar nossa história pra qualquer pessoa que fosse que me perguntasse como andam os namoros. Nunca mais contei ou escrevi qualquer coisa que tenhamos vivido. Nunca mais nem soube de você. Nunca mais é apenas três meses e seis dias e pra gente já é tempo demais.
Agora eu tento não escrever o nome do outro. O outro é a paz de que eu tanto precisava. Não escrevo o nome dele. Não vou embora chorando pra casa. Não viajo quentinha debaixo do edredom no ônibus. Não conto mil vezes que ele dorme feito uma pedra. E quando me perguntam dos namorados eu respondo: Quando eu tiver um, publico no Facebook.
Seu nome em letras garrafais com uma caligrafia impecável está registrado na minha agenda, na minha memória e na minha pele, mas não é nada que o tempo não possa apagar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O amor chegou e passou

O amor está chegando. Olha lá. Bem ao longe. Lá no horizonte vem vindo alguma coisa que se parece com amor. É pequeno, vem devagar, em cima de um cavalo branco. O amor vem chegando, mas o que fazer com ele? Ele fica grande, ocupa espaço e eu não posso esvaziar o armário pra guardar ele. No meu armário estão as paixões, velhas e intactas pelo tempo e eu não posso jogá-las fora. O amor não cabe porque ele pode ficar imenso e talvez não tenha mais espaço nem pra mim. O amor é dominador e eu não sei se posso sustentá-lo. Eu sou fraca e teimosa e o amor pesa nos meus sonhos. O amor está chegando e está batendo na porta. Ele tem pressa, mas eu não sei se quero deixar entrar. O amor dói, machuca quem habita e eu tenho medo. O amor chegou e eu não posso deixar entrar. Eu sei que ele vai embora sem data pra voltar, mas eu sou pequena demais pra esse  amor tão imenso e eu quero sobreviver se um dia ele se quebrar. Agora não, amor. Não dá. O amor foi embora e só o passado ficou.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A foto


De repente me veio uma vontade louca de olhar uma foto dele. Eu sabia que não podia vê-lo, que não iríamos cruzar o caminho um do outro nunca mais, mas eu precisava ver mais uma vez aquele rosto que um dia eu disse ter amado tanto. Eu precisava ver só pra ter certeza de que tudo aquilo que eu dizia imenso e real havia morrido. Não consegui entender o que aconteceu aqui dentro quando olhei aquela foto brega do perfil dele. Não sei o que eu senti quando vi a foto do jogo de quarta-feira passada. Só sei que ao menos uma vez não deu vontade de voltar no tempo e refazer as memórias. Sei que eu não tive vontade de fazê-lo meu mais uma vez. Pensei que talvez o destino o colocasse mais uma vez na minha frente, cara a cara, olho no olho pra ver a minha reação. Talvez eu quisesse isso, quisesse reencontrá-lo para ter certeza de que todo o amor morreu, queimou. Pensei o dia todo em tudo a respeito dele. Pensei e entendi que todos os meus grandes amores até hoje não foram tão grandes. Que ele e os outros não passaram de apostas que eu fiz as cegas. E no final eu tive certeza de apenas uma coisa: do que não é amor.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ele era uma droga

Ele era um droga. Não. Ele não era ruim. Ele era bom. Bom demais. Era mais que bom, por isso era uma droga. Viciava. Dava uma brisa boa, me fazia ver duendes e flores e neve dentro do meu quarto. Era uma droga porque me fazia cada dia querer usar mais um pouco. Depois de um ano completamente alucinada, eu precisa parar. Eu tinha que parar. Eu tinha que me querer de volta. Mas eu precisava da loucura que ele me causava. Eu tentei nunca mais querer aquela droga que tinha cheiro de Malbec e carinha de inocência. Eu sofri. Chorei. Entrei em crise. Tive que usufruir de outras drogas para esquecer aquele vício antigo. Foi ai que eu descobri que existem drogas melhores, com cheiros melhores e sexo melhor. Ele também é uma droga, mas quem é que não é?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A vida segue mas o que foi bonito fica com toda força

É lógico que a gente nunca quer que termine aqui, termine assim. Foi inconsciente mas foi a gente que fez ser assim. Você sabe. Eu sei. Foi a gente e mais ninguém que fez o amor virá isso meio louco, meio torto que termina aqui.
Eu lamento e você também que não sobre nada disso que já chegou a ser bonito, já fez o coração acelerar, já fez sorrir, mas se transformou em algo que dói, que atrapalha, incomoda e cansa. Termina aqui porque é melhor . Melhor que seguir tentando consertar, tentar recuperar de alguma forma um sentimento que foi destruído com o tempo.
Amanhã é outro dia, com outras pessoas, mas o Sol que nasce ainda é o mesmo, a vida segue como antes, às vezes mais bonita, às vezes mais difícil mas ela sempre segue.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pronta

Eu já estou pronta. Já sei olhar sua foto e não chorar porque acabou. Já sei ouvir Leoni e não querer te mandar mensagem dizendo que "os outros são os outros e só". Já consigo não tocar no seu nome em cada conversa com as minhas amigas pra dizer o quanto você se mexe dormindo, o quanto foi engraçado nosso primeiro beijo, o quanto você me estressa com as suas manias, o quanto você detesta azeitona e eu amo. Já sei olhar seu perfil do Facebook sem sentir um pinguinho de ciumes invadindo as minhas certezas de que dessa vez acabou de vez.
Eu sei que em todas as outras vezes que tinha acabado de vez eu voltei. Sei que todas as vezes que eu dei um tempo em desejar alguém que tem tanto pra desejar por ai, eu voltei. Voltei porque eu não sabia viver sem. Porque eu precisava me sentir um pouquinho amada e desejada pra dizer pra mim mesma que eu era feliz com a gente. Eu precisava de você num fim de semana pra dizer que eu também sabia brincar de amizade colorida, que eu também sabia dizer que "tanto faz".  Mas dessa fez é diferente.
É diferente de todas as vezes que já foi diferente antes. Agora eu não preciso. Decidi que não preciso. Eu não preciso nenhum um pouco de você do meu lado.
Existe vida sem você. Existe sexo sem você. E principalmente, existe amor sem você.
Eu nunca tive tanta certeza de que dessa vez acabou. Acabou e só. E não faz falta. E eu não quero de volta.
Vamos ser felizes pra sempre dentro da minha memória, mas acabou.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Deitada na cama num só pedacinho do lado direito como se faltasse alguém do lado esquerdo, como se coubesse alguém ao lado. E o pior é que cabe. Falta alguém pra preencher esse meu lado esquerdo vazio e frio do meu peito e do meu colchão.

Eu queria você fora. Você dentro de mim. Você fora. Você dentro. Dentro. Fora. Fora e Dentro. Porque eu acabei sexualizando o meu amor só pra ele ter um cantinho dentro de mim quando você estivesse fora.

A cidade

A cidade tem o cheiro dele, o perfume misturado com cheiro de rodoviária e pomba. A cidade tem a cor avermelhada dos olhos dele quando fuma. As ruas são esguias como suas pernas magrelas com pouco pelos e muita estrada rodada. O sol aqui parece negro como o pessimismo que ele arrasta nos dias mais bonitos. E cada mulher loira parece ser a sua dama, a que tem o seu coração numa gaiola de ouro regado a ervas e pós que a vida plantou pra disfarçar a prisão.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Basta ser mulher

Mulher acha que segura homem com sexo. Pobre mulher. Pensamento infeliz.
Mulher acha que se ela souber todas as posições do Kama Sutra, tiver todas as lingeries mais sexys, realizar todas as fantasias do parceiro e souber fazer o melhor sexo oral da região, ai sim ela segura o homem,  acredita que ele ficará com ela para sempre, sem riscos de traição.
Não sei o que mulher acha, se é falta de experiência de vida e de relacionamentos, mas toda e qualquer mulher já pensou e até tentou essa "técnica". É claro que a maioria - senão todas - fracassaram. O que mulher não entende é que homem tem sexo muito fácil, ele consegue levar pra cama qualquer mulher no primeiro - e quiçá, único - encontro com as armas certas.
Para uma mulher segurar um cara - e segurar eu digo ter um relacionamento - basta não fazer nada. Não bancar a louca, não correr atrás, não fazer joguinhos de conquista. Basta ser mulher, basta ser única. Esse é o grande truque. Pense nisso!